O quadro clássico do transtorno, principalmente em seus subtipos Misto (hiperatividade, desatenção e impulsividade) e Hiperativo-Impulsivo não costumam apresentar dificuldade de diagnóstico.
Mas o transtorno raramente se
apresenta isolado. Com uma frequência maior que 50 % vem acompanhado de outros
distúrbios a que chamamos de COMORBIDADES. A presença de Comorbidades dá outra coloração
ao quadro, dificultando muitas vezes seu reconhecimento. Também modifica o
tratamento, na medida em que outras medicações são necessárias junto, antes ou
depois da medicação específica para o TDAH. O prognóstico também se altera
quando existem uma ou mais Comorbidades.
A prevalência (percentagem de indivíduos atingidos por
determinada condição em um determinado momento) de cada Comorbidade depende de
vários fatores: tipo de amostra escolhida (clínica ou populacional), fonte de
informação, idade da amostra, sexo dos participantes, instrumentos usados,
desenho da pesquisa, etc.. Daí porque os valores apresentados podem ser bem
amplos.
O tipo de amostra escolhida pode alterar
os resultados porque na amostra clínica os indivíduos escolhidos já foram
previamente selecionados quando procuraram um atendimento. Já na amostra
populacional a escolha é aleatória em uma comunidade. Os indivíduos não
procuram por atendimento especializado.
A fonte de informação também influencia no resultado, já que a visão de um professor costuma ser diferente da visão dos pais, p.ex. Por isso os valores encontrados costumam abranger um intervalo muito amplo.
Vale a pena lembrar que
durante o ciclo de vida pode haver uma variação de comorbidades, com o
desaparecimento de umas e surgimento de outras. E que algumas comorbidades só
surgem em determinadas etapas da vida, como na Adolescência.
Sendo assim, a classificação
entre Comorbidades mais ou menos frequentes poderá ser aleatória e influenciada
pela experiência clínica, pelo local de atendimento, pelo grupo etário atendido
e outros fatores circunstanciais.
COMORBIDADES MAIS FREQUENTES
TDAH com Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD)
Com uma prevalência estimada de 35% a 65 %, parece mais
comum no sexo masculino. Sua incidência também varia com o tipo clínico,
sendo mais encontrado no tipo predominantemente hiperativo-impulsivo, depois
no tipo combinado e inexistente no predominantemente desatento. As
características clínicas nos mostram sintomas que são comportamentos comuns
às crianças, apenas em forma mais intensa. Seria um desvio quantitativo dos
padrões normais de comportamento.
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Com uma prevalência de 20% a 50 %, também parece mais
comum no sexo masculino. Nessa comorbidade a idade é um fator importante, já
que a incidência aumenta com a idade. A incidência também tem relação com o
tipo clínico, novamente mais comum no predominantemente hiperativo-impulsivo,
pouco no combinado e não encontrado no predominantemente desatento.
As características clínicas nos mostram padrões de comportamento anormais, sendo os desvios dos padrões de comportamento não só quantitativos como qualitativos. |
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A prevalência estimada é de 30% a 40 %. A observação
clínica parece demonstrar que essa comorbidade diminui a impulsividade, caso
esteja presente. Entretanto traria maiores dificuldades na execução de tarefas
complexas com maior demanda de memória de trabalho. Parece haver uma
lentificação generalizada do pensamento e da ação, fazendo com que a criança
pareça ter alterações no nível de inteligência ou transtornos de aprendizado.
Dificuldades para dormir e queixas somáticas são comuns. As queixas somáticas, por vezes intensas também podem confundir o quadro. Os medos e as preocupações excessivas dificultam ainda mais a adaptação escolar, social e familiar. Eventos cotidianos se transformam em causa de grande ansiedade e sofrimento. A grande preocupação quanto ao seu desempenho escolar, familiar e social e a excessiva preocupação com o futuro, com situações hipotéticas ( separação dos pais, erros futuros ), podem até confundir o quadro com uma forma de Transtorno Obsessivo - Compulsivo. É importante ressaltar a mudança na avaliação quanto à benignidade da ansiedade infantil. Antigamente vista como benigna e transitória com remissão expontânea na idade adulta, sem maiores conseqüências para o desenvolvimento infantil. Estudos demonstraram que a ansiedade infantil não tratada pode ser precursora de Depressão Maior e de outros transtornos do espectro ansioso na idade adulta. |
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Talvez o transtorno psiquiátrico mais estudado na
atualidade o Transtorno de Humor Bipolar em adultos e em sua forma de início
precoce tem uma inequívoca comorbidade com o TDAH, principalmente em seus
subtipos Misto e predominantemente Hiperativo-Impulsivo. A questão da
prevalência ainda é objeto de grande polêmica, já que a sobreposição de
sintomas entre os dois transtornos é muito grande. Alguns estudos indicariam
uma prevalência em torno de até 10 %.
A mania, na infância e adolescência, apresenta quadro
atípico. Os sintomas são mistos, o curso é crônico em vez de episódico, com
aumento de irritabilidade e agressividade, e com explosões de agressividade.
A comorbidade entre TDA/H e THB parece obedecer a um movimento unidirecional, de forma semelhante ao que ocorre entre TDA/H e Tourette. Entre crianças com TDA/H o THB não parece ocorrer com frequência mais notável, ao passo que, por outro lado, crianças com THB na sua grande maioria também apresentam TDA/H. |
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Tem uma prevalência estimada na literatura de 15% a 75 %. Os
sintomas depressivos exacerbam as dificuldades inerentes ao TDAH, diminuindo
a atenção e a memória, diminuindo ainda mais o rendimento escolar. Aumenta a
sensação de fracasso e baixa a auto-estima já comprometida pelo TDAH. Como a
depressão na infância e adolescência pode se manifestar com um aumento da
agitação e da impulsividade, pode levar também a um aumento dos
comportamentos disruptivos, trazendo dificuldades ao diagnóstico.
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COMORBIDADES MENOS FREQUENTES
A prevalência dessa comorbidade vai variar com a substância
de abuso, mas o fato importante a ser ressaltado é que o fator de risco para a
comorbidade não seria o TDAH em si mas as comorbidades com o Transtorno de
Conduta e Transtorno de Humor Bipolar, esses sim fatores predisponentes ao
abuso de substâncias. É uma prevalência mais encontrada em adolescentes e
adultos, que tem um risco duas vezes maior que a população em geral.
TDAH com Transtornos de Aprendizagem
Essa é uma comorbidade que ainda traz controvérsias. Seus
índices de prevalência são extremamente variados, dependendo dos critérios, dos
métodos e dos diversos tipos de transtornos abrigados sob a epígrafe geral de
Transtornos de Aprendizagem.
Parece estar mais presente no tipo predominantemente desatento e traz um comprometimento no funcionamento geral significativamente maior do que o TDAH sozinho. O desempenho neuro-cognitivo está claramente comprometido em crianças e adolescentes.
Parece estar mais presente no tipo predominantemente desatento e traz um comprometimento no funcionamento geral significativamente maior do que o TDAH sozinho. O desempenho neuro-cognitivo está claramente comprometido em crianças e adolescentes.
TDAH com Transtorno de tiques e Tourette
Embora a prevalência não seja tão expressiva, 3,5% a 17 %, é
uma comorbidade frequentemente citada, talvez mais pelo contrário. Estima-se
que 60 % ou mais das crianças com TT tenha também TDAH. Entretanto a
prevalência de TT em crianças com TDAH é bastante pequena.
TDAH com Transtorno do Ciclo do Sono
Apesar de ainda não haverem estudos
conclusivos sobre o adormecer, o acordar e o nível de alerta de pacientes com
TDAH, os relatos clínicos frequentes dessas dificuldades sugerem a presença de
uma comorbidade, mais do que a intensificação de sintomas próprios do TDAH (Thomas
Brown).
TDAH com Transtorno Obsessivo–Compulsivo (TOC)
Alguns autores acreditam que este
transtorno faça parte do espectro da Ansiedade, enquanto outros o veem ainda
como um transtorno independente e passível de formar uma comorbidade como TDAH.
Outros ainda acreditam que os sintomas e sinais que surgem sejam apenas reativos
(mecanismos de defesa ou comportamentos compensatórios) ao TDAH e não
configurem propriamente uma comorbidade. Ou quem sabe as duas possibilidades.

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